terça-feira, 25 de agosto de 2026

PÉS


PÉS
Helena Bernardes

Passei a vida olhando para a frente,
e quase nunca para eles.

Meus pés.

Esses dois companheiros silenciosos
que nunca pediram aplausos
por todos os lugares
aonde me levaram.

Pés de menina,
descalços na terra,
que conheceram poeira, capim,
pedra quente
e água de enxurrada.

Pés de moça,
apressados,
achando que a vida estava longe
e que era preciso correr
para alcançá-la.

Pés de mulher,
que entraram por portas
que davam medo,
saíram por outras
que precisavam ser fechadas
e continuaram andando.

Carregaram filhos,
sacolas,
trabalho,
sonhos,
cansaços
e alguns mundos inteiros.

Tropeçaram.

Claro que tropeçaram.

Quem atravessa uma vida
sem tropeçar
provavelmente ficou sentado demais.

Hoje,
gosto de colocá-los para cima,
na varanda,
diante da manhã.

Eles já não têm pressa.

Têm marcas.

E talvez as marcas sejam
a caligrafia do tempo
escrevendo no corpo
a história que a memória
às vezes esquece.

Olho para meus pés
e penso:

vocês foram longe.

Muito mais longe
do que aquela menina descalça
poderia imaginar.

Agora descansem um pouco.
Ainda temos caminhos pela frente,
mas já aprendemos uma coisa:

nem toda viagem
precisa ser feita depressa.

Às vezes,
chegar até uma manhã tranquila,
erguer os pés na varanda
e contemplar o céu

também é
uma forma bonita
de ter chegado.

25 de agosto 2026

Escrevo Assim


"Entre a varanda, a manhã e a vida que insiste em virar palavra" 

Hoje escrevo assim.

Com os pés para o alto, a varanda aberta para o mundo e a cabeça cheia de histórias.

Não há escrivaninha elegante, silêncio de biblioteca nem ritual solene. Há uma rede, prédios ao fundo, palmeiras balançando, barulhos da cidade chegando de longe e uma mulher tentando transformar lembrança em palavra.

Gosto dessa fotografia porque ela não foi preparada.

Ela simplesmente aconteceu.

E talvez seja exatamente isso que mais se parece com a minha escrita de hoje.

Escrevo no meio da vida.

Entre uma lembrança e outra.
Entre um café e uma mensagem. Entre uma fotografia antiga e uma história que ainda não terminou dentro de mim.

Durante muitos anos, escrevi em cadernos.

Escrevi cartas para mim mesma. Escrevi para Deus. Escrevi para entender o que estava vivendo e, muitas vezes, apenas para não deixar que os dias desaparecessem sem registro.

Hoje continuo fazendo a mesma coisa.

Mudaram as ferramentas.

Mudou a paisagem.

Mudou a mulher.

Mas a necessidade de escrever continua ali.

Talvez até mais forte.

Porque chega um tempo em que a gente percebe que memória também precisa de casa.

E eu tenho tentado dar uma casa às minhas.

Helena Bernardes

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Voltar ao Blogger é voltar para casa

Há lugares que permanecem nos esperando, mesmo quando passamos algum tempo longe deles.
Este blog é um desses lugares.

Foi aqui que muitas das minhas palavras encontraram morada. Aqui publiquei histórias, poemas, lembranças, reflexões e fragmentos de uma vida inteira dedicada à escrita.

Depois, vieram outras plataformas, novos projetos e diferentes maneiras de conversar com os leitores.

Passei pelo Instagram, pelo Substack e por tantos caminhos que a tecnologia abriu diante de nós.

Mas não abandonei esta casa.

Hoje retorno ao Blogger com outro olhar e muitas histórias na bagagem. Continuo sendo Helena Bernardes, escritora e observadora da vida, mas agora caminho acompanhada por livros publicados, novos personagens e pela querida Vovó Onça — contadora de histórias, guardiã da natureza e porta-voz de um universo construído com memória, afeto e imaginação.

Minha escrita também amadureceu. Ela carrega as marcas do tempo, das perdas, dos recomeços e das estradas que percorri. Fala da infância na roça, das mulheres da minha família, dos meus filhos e netos, da natureza que pede socorro e das pequenas cenas cotidianas que quase ninguém percebe.

O Blogger continuará sendo o lugar onde essas histórias poderão repousar com calma. Sem a pressa das redes sociais, sem a obrigação de caber em poucas linhas e sem desaparecer depois de alguns segundos. Aqui, cada texto poderá criar raízes.

Não pretendo escolher apenas uma plataforma. Cada espaço tem sua linguagem e sua importância. O Substack seguirá como meu Caderno Aberto; o Instagram mostrará imagens e breves momentos; e este blog continuará guardando as histórias que a vida conta.

Voltar não significa caminhar para trás. Às vezes, voltar é reconhecer onde nossas raízes permaneceram.

Por isso, abro novamente esta porta.

Se você já esteve aqui, seja bem-vindo de volta. Se chegou agora, encontre um lugar para se sentar. Ainda há muito chá para servir, muitas lembranças no baú e muitas histórias esperando a sua vez.

A casa está aberta.

Continue acompanhando meu trabalho:



Helena Bernardes
Escritora e criadora da Vovó Onça

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

A Série Helena Bernardes Começa Aqui | Lançamento dos Livros 2026

A Série Helena Bernardes Começa Aqui | Lançamento dos Livros  Literários 2026
Disponível em:
📙 Tapera Assombrada — A Saga de Mariana

Um testemunho real que rompe o silêncio e transforma memória em literatura.

 Disponível em:


Uma investigação que atravessa ciência, reflexão e espiritualidade, conduzindo o leitor a pensar com profundidade e responsabilidade.
Disponível em:

📗 As Vozes do Tempo — O Caminho da Palavra

Uma análise sobre a evolução da comunicação humana, seus impactos culturais e a responsabilidade que carregamos ao usar a palavra.

Esses livros inauguram oficialmente a Série Helena Bernardes — uma coleção construída com padrão editorial definido, identidade visual consolidada e compromisso com a profundidade.

Também escrevo para crianças.

Além da Série Helena Bernardes, desenvolvo um projeto literário infantil voltado para escolas. 

A Série Vovó Onça na Escola é dedicada à formação de leitores, à educação ambiental e à valorização da imaginação como ferramenta de aprendizado. A série oferece leitura gratuita como parte de um projeto literário educativo pensado para professores, alunos e famílias que acreditam no poder transformador da palavra desde a infância.

Porque formar leitores começa cedo. E acredito que a literatura também é responsabilidade social.

Sou escritora brasileira, autora da Série Helena Bernardes, com obras publicadas em formato digital,(E-book ) e criadora da personagem Vovó Onça, referência em projetos literários infantis voltados para escolas. Minha escrita transita entre reflexão contemporânea, memória, espiritualidade e compromisso educativo.

Escrever não é passatempo.
É responsabilidade com a palavra.

Helena Bernardes
Lançamento literário 2026


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Tapera Assombrada – A Saga de Mariana

      Helena Bernardes, 2026

Um testemunho real sobre o que a vida não apaga.

Hoje eu não trago apenas um livro.
Trago um pedaço de vida.

Tapera Assombrada – A Saga de Mariana nasce de uma história real.
De uma mulher que atravessou o tempo, enfrentou silêncios longos, guardou dores, e só agora decidiu abrir a porta do passado.

Não é ficção inventada para entreter.
É relato de quem viveu.

É sobre escolha.
É sobre o que permanece.
É sobre o que a vida não consegue apagar.

Mariana nasceu em uma época difícil, marcada por medo, escassez e silêncio. Cresceu em meio a conflitos que não eram apenas do mundo, mas também da própria alma. Este livro revela aquilo que ficou guardado por décadas.

Há memórias que pesam.
Há verdades que libertam.

Escrevi este livro com respeito.
Com responsabilidade.
E com o compromisso de não deixar uma história morrer com o tempo.

Se você acredita que toda vida merece ser contada, se você valoriza relatos reais, se você entende que o passado molda o presente, este livro é para você.


Helena Bernardes
12 fevereiro 2026

Histórias que a Vida Conta — por Helena Bernardes

     Helena Bernardes - 2026

Ao longo dos anos, escrevi muitas histórias. Algumas nasceram do cotidiano, outras da memória, outras ainda do silêncio que só aparece quando paramos para escutar. Todas têm algo em comum: foram contadas pela própria vida.

“Histórias que a vida conta” não é apenas um título. É uma forma de olhar o mundo. É reconhecer que cada acontecimento, cada perda, cada descoberta e cada pergunta carrega uma narrativa esperando para ser compreendida.

Sou Helena Bernardes, escritora goiana, cronista, poetista  e autora de obras que transitam entre a literatura infantil, a memória e a investigação. Minha escrita sempre partiu da observação atenta, da terra, da família, da natureza e, mais recentemente, do próprio céu.

Esse caminho me levou ao lançamento de Entre o Chão e o Céu — Um Estudo em Andamento (2026), um ensaio científico-reflexivo que percorre temas como atmosfera, ionosfera, HAARP, satélites, missão Apollo, exoplanetas e a busca por vida fora da Terra.

Se antes as histórias que a vida contava estavam nos quintais, nas lembranças e nas conversas, agora também estão nos dados, nos instrumentos científicos e nos sinais captados a anos-luz de distância.

Porque a vida conta histórias no chão, mas também conta histórias no céu.

Escrever é escutar essas narrativas e organizá-las com respeito.
Seja em crônicas, seja em ensaio científico, fábulas, projetos culturais, o gesto é o mesmo: perguntar com atenção e responder com responsabilidade.

📘 Entre o Chão e o Céu — Um Estudo em Andamento está disponível em formato digital.


Continuo escrevendo.
Porque a vida continua contando.

— Helena Bernardes
13 fevereiro, 2026

Raízes da Minha Escrita

🐂 Hoje é Dia do Carreiro de Boi em Goiás

Para muita gente, é uma data no calendário. Para mim, é uma história que vem de longe. O carro de boi atravessa as memórias da minha família...