Meus rabiscos Noturnos

Imaginar a vida sem amor é namoro sem avanços, rede sem doce balanço, fazer sexo sem vontade e viver pela metade!



segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Escrevo Assim


"Entre a varanda, a manhã e a vida que insiste em virar palavra" 

Hoje escrevo assim.

Com os pés para o alto, a varanda aberta para o mundo e a cabeça cheia de histórias.

Não há escrivaninha elegante, silêncio de biblioteca nem ritual solene. Há uma rede, prédios ao fundo, palmeiras balançando, barulhos da cidade chegando de longe e uma mulher tentando transformar lembrança em palavra.

Gosto dessa fotografia porque ela não foi preparada.

Ela simplesmente aconteceu.

E talvez seja exatamente isso que mais se parece com a minha escrita de hoje.

Escrevo no meio da vida.

Entre uma lembrança e outra.
Entre um café e uma mensagem. Entre uma fotografia antiga e uma história que ainda não terminou dentro de mim.

Durante muitos anos, escrevi em cadernos.

Escrevi cartas para mim mesma. Escrevi para Deus. Escrevi para entender o que estava vivendo e, muitas vezes, apenas para não deixar que os dias desaparecessem sem registro.

Hoje continuo fazendo a mesma coisa.

Mudaram as ferramentas.

Mudou a paisagem.

Mudou a mulher.

Mas a necessidade de escrever continua ali.

Talvez até mais forte.

Porque chega um tempo em que a gente percebe que memória também precisa de casa.

E eu tenho tentado dar uma casa às minhas.

Helena Bernardes

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