Lembranças que continuam vivendo em mim.
Lembranças que continuam vivendo em mim.
Há lembranças que o tempo não leva.
Elas permanecem guardadas nos lugares onde vivemos, nas pessoas que encontramos, nos cheiros, nas fotografias, nas histórias de família e até nas pequenas coisas que, na época, pareciam sem importância.
Esta página reúne minhas memórias, escritas aos poucos, conforme elas voltam e pedem para ser registradas.
Aqui estarão lembranças da infância e da vida na roça, da família, das pessoas que passaram pelo meu caminho, das viagens, dos lugares onde vivi e dos acontecimentos que ajudaram a construir quem sou.
Mas esta página também será lugar para aquilo que escrevi muitos anos atrás.
Durante a vida, guardei cadernos, manuscritos, anotações, rascunhos e páginas escritas em diferentes momentos.
Alguns textos ficaram esquecidos por muito tempo. Outros atravessaram mudanças, gavetas e caixas até chegarem novamente às minhas mãos.
Agora quero trazê-los para cá.
Alguns serão publicados como foram encontrados, preservando a escrita daquele tempo. Outros poderão receber uma pequena apresentação, uma data aproximada ou algumas palavras minhas contando em que momento da vida foram escritos.
Não pretendo colocar tudo necessariamente em ordem cronológica.
Memória não costuma bater à porta seguindo calendário.
Ela chega quando quer.
E quando chegar, encontrará lugar aqui.
Nesta parte estarão as lembranças que transformo em palavras hoje.
01 — Pelas Estradas da Fé — 2014
Memórias dos carreiros do Divino Pai Eterno
Há sons que a gente escuta uma vez e esquece. Outros atravessam o tempo.
O som do carro de boi pertence às minhas lembranças de Goiás, às estradas de terra, à fé e também à história da minha família.
Meu avô, Antônio Anazário da Costa, conhecido por todos como Antônio Costa, o Benzedor, foi uma figura muito conhecida na região de Mairipotaba. Foi nas terras de sua fazenda, entre Fazenda Flores e Córrego Fundo, que começou a se formar a cidade.
Entre as memórias familiares que chegaram até mim está também sua ligação com os antigos carreiros. Meu avô reuniu os primeiros carreiros da região para seguirem rumo à festa do Divino Pai Eterno, em Trindade.
A tradição continuou caminhando.
Minha irmã Mariana acompanhou os carreiros durante 25 anos. Conhecia aquela estrada, seus costumes, suas pessoas e sua fé.
Em 2014, fui com ela.
Caminhei pelas estradas poeirentas, acompanhei a rotina dos carreiros, ouvi de perto o som dos carros de boi e levei comigo minha câmera.
Fotografei e filmei.
Naquele tempo talvez eu estivesse simplesmente tentando registrar aquilo que via. Hoje compreendo que estava fazendo algo maior: guardando uma parte da nossa memória.
Os anos passaram, mas aqueles registros ficaram.
Mariana tornou-se também protagonista do meu livro Tapera Assombrada. E meu avô, os carreiros, Mairipotaba e tantas histórias daquela terra reaparecem no livro que estou escrevendo, A Serra Vigia.
Por isso, neste Dia do Carreiro de Boi em Goiás, volto àquelas estradas.
Não apenas para lembrar.
Mas para deixar registrado.
Porque há histórias que encontramos nos documentos.
Há histórias que alguém nos conta.
E há histórias que percorremos a pé, com poeira nos sapatos e o canto do carro de boi acompanhando o caminho.
🎥 Registros — Histórias que a Vida Conta em 2014
Homenagem à minha irmã Mariana
Minha companheira pelas Estradas da Fé, que acompanhou os carreiros durante 25 anos.
Foi com ela que caminhei pelas estradas poeirentas, ouvindo o som dos carros de boi e registrando uma tradição que ela acompanhou durante 25 anos. Este vídeo é minha homenagem a ela.
📔 DO BAÚ DOS CADERNOS
Aqui vou abrir minhas antigas anotações e trazer para o presente textos que ficaram guardados.
Manuscritos, anotações, rascunhos, pensamentos e páginas escritas à mão também fazem parte da minha história.
Alguns carregam marcas do tempo. E é justamente por isso que quero preservá-los.
01 — Em breve
02 — Em breve
03 — Em breve
04 — Em breve
05 — Em breve
🌿 Este caderno continuará sendo escrito e também redescoberto.
Novas lembranças serão acrescentadas à medida que forem transformadas em palavras. E, de vez em quando, abrirei uma gaveta, uma caixa ou um velho caderno para descobrir o que a Helena de outros tempos deixou escrito para a Helena de hoje.
Porque recordar não é apenas olhar para trás.
Às vezes, é encontrar no passado uma página que ainda tinha alguma coisa para nos contar.
✍️ Helena Bernardes
Histórias que a Vida Conta
© 2026 Helena Bernardes — Todos os direitos reservados.

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