Quando comecei a escrever, eu já trabalhava com crianças, em escolinha infantil.
Talvez por isso as histórias e os personagens tenham encontrado terreno tão fértil em mim: eu convivia diariamente com imaginação, brincadeira, descoberta e aquele jeito muito próprio que a infância tem de transformar qualquer coisa em mundo.
Também havia as festas, as quadrilhas e os personagens que inventávamos para brincar.
Em uma delas, eu fazia um personagem masculino "Tonhão " e meu par era Tonha Taca.
Era só parte da diversão, da encenação, daquele tempo em que a gente se permitia criar tipos, vozes e histórias sem pensar demais no nome disso.
Hoje vejo que muita coisa começou ali.
Antes dos livros, antes dos projetos e antes de personagens ganharem vida no papel, já existia em mim essa vontade de observar, inventar, representar e contar.
A escrita veio depois, mas a imaginação já estava trabalhando fazia tempo.
Helena Bernardes
