Era memória derretida.
As velas haviam cumprido o que sabiam fazer:
queimar pedidos,
sustentar silêncios,
abrir caminho.
Da cera escorrida nasceu um arco, não de pedra, não de ferro, mas de fé cansada que não desistiu.
Dentro dele, a luz não feria os olhos.
Ela acolhia.
A presença não se mostrava inteira..Era contorno, sombra viva, movimento antigo entre folhas.
O arco e a flecha não apontavam para fora.
Apontavam para dentro.
Oxóssi não atravessa portais à toa. Ele vem quando a mata é respeitada, quando o pedido é justo e quando o coração aprende a esperar.
O lago, ao longe, guardava o reflexo. A lua vigiava.
Três estrelas alinhadas lembravam que há mistérios que caminham juntos
e não precisam de nome alto.
Nada ali era nítido.
Porque o sagrado não grita.
Ele se revela em névoa,
em luz difusa, em presença que passa e deixa o mundo mais inteiro.
Quem viu, sentiu.
Quem sentiu, entendeu.
Histórias que a vida conta
Helena Bernardes
Nenhum comentário:
Postar um comentário