Ontem foi dia de organizar.
Não a casa apenas — o mundo.
As linhas de crochê pediam ordem:
cores conversando entre si,
novelos desatando antigos nós, paciência em forma de fio.
Depois vieram as pastas de documentos.
Papéis que contam quem fui,
quem sou, e o que ainda preciso guardar para não esquecer de mim.
As gavetas se abriram como confidências.
Algumas guardavam excessos, outras só silêncio.
Tudo precisou de lugar,
até o que já não servia.
Livros voltaram às estantes
com aquele peso bom de quem espera.
Cadernos de anotações se deixaram folhear, lembrando que muita coisa foi pensada
antes de ser escrita.
Não foi um dia barulhento.
Foi um dia necessário.
Organizar o que é meu
sempre foi meu jeito de acalmar o mundo.
Quando tudo encontra seu lugar, eu também encontro o meu.
Helena Bernardes
Histórias que a vida conta
Ontem
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