sábado, 30 de janeiro de 2010

Humildade (Cora Coralina)

"Senhor, fazei com que eu aceite

minha pobreza tal como sempre foi.

Que não sinta o que não tenho.

Não lamente o que podia ter

e se perdeu por caminhos errados

e nunca mais voltou.

Senhor, que minha humildade

seja como a chuva desejada

caindo mansa,

longa noite escura

numa terra sedenta

e num telhado velho.

Que eu possa agradecer a Vós,

minha cama estreita,

minhas coisinhas pobres,

minha casa de chão,

pedras e tábuas remontadas.

E ter sempre um feixe de lenha

debaixo do meu fogão de taipa,

e acender, eu mesma,

o fogo alegre da minha casa

na manhã de um novo dia que começa.”

Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas nasceu no dia 20 de agosto de 1889 na velha Villa Boa de Goyaz. Grandiosa na poesia brasileira e, acima de tudo, grandiosa como mulher.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Ajudem o Haiti - cancele a dívida externa

Eu acabei de assinar uma petição pedindo o cancelamento da dívida externa do Haiti de USD$ 1 bilhão. O povo do Haiti não deveria ter que pagar uma dívida feita por ditadores não eleitos do passado enquanto eles tentam se recuperar do terremoto.

Clique aqui para assinar a petição

É chocante: mesmo com ajuda sendo direcionada para as comunidades desesperadas do Haiti, o dinheiro sai por outro lado para pagar a dívida externa exorbitante do país. Mais de $1 bilhão de uma dívida injusta acumulada anos atrás por credores e governos inescrupulosos.

O chamado pelo cancelamento total da dívida externa do Haiti está ganhando força ao redor do mundo e já convenceu alguns governantes. Porém, rumores dizem que outros países credores ainda estão resistindo. O tempo é curto: os Ministros das Finanças do G7 irão tomar uma decisão semana que vem em um encontro no Canadá.

Vamos gerar um chamado global por justiça, compaixão e bom senso para o povo do Haiti neste momento de tragédia. A Avaaz e parceiros irão entregar o chamado pelo cancelamento da dívida externa diretamente no encontro.

Mesmo antes do terremoto, o Haiti já era um dos países mais pobres do mundo. Depois que os escravos Haitianos ganharam a independência em 1804, a França demandou bilhões em indenização – lançando uma espiral de pobreza e dívidas injustas que já duram dois séculos.

Há alguns anos, campanhas globais pelo cancelamento de dívidas externas despertaram a consciência do mundo. Nos últimos dias, sob uma pressão crescente, financiadores começaram a dizer a coisa certa sobre o cancelamento da dívida externa do Haiti, que ainda é um fardo devastador para o país.
Porém o problema está nas entrelinhas. Depois do tsunami em 2004, o FMI anunciou um alívio no pagamento da dívida externa dos países atingidos – mas os juros continuaram a acumular. Quando a atenção pública diminuiu, os pagamentos da dívida eram maiores do que nunca.

Chegou a hora de cancelar a dívida externa do Haiti incondicionalmente para garantir que a ajuda enviada seja em forma de doação e não empréstimo. Uma vitória agora irá afetar a vida das pessoas do Haiti, mesmo depois que a atenção do mundo se dissipar. Participe do chamado pelo cancelamento da dívida externa e depois encaminhe este alerta para pessoas que se preocupam também:

http://www.avaaz.org/po/haiti_cancel_the_debt_7/97.php

Enquanto assistimos as imagens na televisão e pela Internet, é difícil não se comover. E a relação dos países ricos com o Haiti é de fato bastante obscura.
Porém, momentos como este podem trazer transformações. Ao redor do mundo, milhões de pessoas fizeram doações para salvar vidas no Haiti. Apoiadores da Avaaz contribuíram mais de USD$ 1 milhão nos últimos 10 dias. Porém, nós precisamos erguer as nossas vozes como cidadãos globais para trazer à tona as causas humanas que deixaram nossos irmãos e irmãs do Haiti tão vulneráveis aos desastres naturais.
Não podemos fazer o suficiente para mudar tudo, mas vamos fazer tudo que podemos.(Ben, Alice, Iain, Ricken, Sam, Milena, Paula e toda a equipe Avaaz)

PS: Para fazer uma doação para o Haiti, clique aqui

Vamos fazer a nossa parte e  pedir a DEUS  para enviar bons anjos espirituais para confortá-los neste momento tão difícil de sua vidas! (Helena Bernardes)

domingo, 17 de janeiro de 2010

Saudade danada de Dona Preta

Esta música me faz viajar no tempo,onde o ato de amar era apenas uma pureza de sentimentos. Me lembra minha mãe no tear, meus irmãos na lavoura, a casa  de pau a pique onde passei minha infância, o gado no curral, a horta no quintal, as belas flores que mamãe cultivava, o cachorro Plutão, o cavalo Marengo, nossas peraltices de crianças e as Histórias que "Dona Preta "contava em noites enluaradas sentada no tamborete no meio da bicharda. ( minha mãe ) -  Oh saudade danada!

   Viagem - Maysa
(Composição:João de Aquino/Paulo César Pinheiro)

Oh tristeza, me desculpe

Estou de malas prontas

Hoje a poesia veio ao meu encontro

Já raiou o dia, vamos viajar

Vamos indo de carona

Na garupa leve do vento macio

Que vem caminhando

Desde muito longe, lá do fim do mar

Vamos visitar a estrela da manhã raiada

Que pensei perdida pela madrugada

Mas que vai escondida

Querendo brincar

Senta nesta nuvem clara

Minha poesia, anda, se prepara

Traz uma cantiga

Vamos espalhando música no ar

Olha quantas aves brancas

Minha poesia, dançam nossa valsa

Pelo céu que um dia

Fez todo bordado de raios de sol

Oh poesia, me ajude

Vou colher avencas, lírios, rosas dálias

Pelos campos verdes

Que você batiza de jardins-do-céu

Mas pode ficar tranqüila, minha poesia

Pois nós voltaremos numa estrela-guia

Num clarão de lua quando serenar

Ou talvez até, quem sabe

Nós só voltaremos no cavalo baio

O alazão da noite

Cujo o nome é raio, raio de luar.

Segue abaixo um rabisco que fiz em uma noite de chuva, olhando pela janela e sentindo uma saudade danada dos meus tempos de criança, que intitulei - Quase sem dor

O som da chuva caindo no telhado
Transporta-me para tempos passados
Crianças risonhas, ingênuas e peladas
Correndo dentro de valas de enxurrada
O trovão assusta e mamãe fala
“Olha o raio” crianças danadas
Com testa enrugada sai da sala
Ha! Teimosia é surra de vara!
Corre um pra lá, outro pra cá
O Chicote chia, - vem aqui já!
Maninha chora, esfrega os olhinhos
E o cachorro late e sai de fininho.
Com cabelo escorrido na cara
Olhos vermelhos e  arrepios de frio
Então mamãe pára e repara
-Vai já, tomar um banho quentinho!
Cheiro de açúcar queimado
Leite do bule com casca de canela
Fogão de lenha e labareda alta
Borbulha tudo em preta panela.
Lá vem um lindo anjo
-Tá docinho e bem quentinho!
Faz cafuné, e dá beijinho
É mamãe com seu jeitinho
Olho pela janela  a chuva se foi
O que importa? Ela está morta!
E muda e triste compreendo tudo
É só o amor.... Quase sem dor!

Autora : Helena Bernardes

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

CONSCIENTIZAR E PRESERVAR É NOSSA MISSÃO

PARA A SOBREVIVÊNCIA DE  NOSSA LINDA  NAÇÃO
OS  GRANDES AMBIENTALISTAS TEM PARTICIPAÇÃO !

HISTÓRIAS  QUE A VIDA CONTA  registra um capítulo  com  participação especial da   grande ambientalista Rosana Arruda que veio da  Bahia para visitar  algumas  nascentes do RIO PIRACANJUBA  em Goiás.

Vejam sobre o assunto em SOS NASCENTES

Autora: Helena Bernardes


quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

A Bruxa Helena

Que venha 2010! Esta é a última postagem de 2009, por isto descrevi em versos o meu retrato. Mesmo tendo uma boa dose de santa correndo pelas minhas veias, é assim que desejo ser lembrada, pois descobri que ser "mulher bruxa" é muito melhor do que ser "mulher santa".

É uma dessas mulheres que foi
Empregada doméstica, cozinheira
Arrumadeira, passadeira, pescadora
Tiradeira de leite no curral e sonhadora

Não cavalgou no cavalo de tróia
E nem inspirou Manoel C. Bandeira
Já varou noites ouvindo música
Pintando e escrevendo besteiras

Uma mulher que reverencia o sol,
A natureza, a lua e as estrelas
Faz vôos imaginários com os pássaros
E mergulha nas águas da cachoeira

Sabe manipular poções mágicas
Com mel, ervas, café e chás
Que sempre deixam um gosto na boca
De proibido, mas, “quero mais”

Causadora de ira e inveja em
Santas e mal amadas mulheres
Que entre descasos e desamores
Aprenderam fingir e distribuir flores

Dama que esconde pensamentos secretos
Usando máscaras para disfarçar
Seus desejos escondidos pelo tempo
Para encantar seus belos amores

Tem cara de mulher madura, mas é menina
Sabe ser cúmplice e tem a língua ferina
Faz amor no mato, na lama, na chuva,
Na rede, no carro, na cidade ou na fazenda

Faz os olhos de um homem sorrir
E prazer o seu corpo, sabe pedir
Não tem preconceito de raça e nem cor
E sabe amar seus homens sem pudor

Traz alegria nos gestos e nas palavras veneno
Pois carrega na alma o peso das mentiras
Dos maravilhosos e eternos amantes
Que fazem parte da história da Bruxa Helena

Autora: Helena Bernardes

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

É SÓ MAIS UM DIA DE NOITE ESCURA

Doce recanto ou Paraíso
População: dois apaixonados
Roupas espalhadas pelo chão
E marcas nos lençóis molhados
Solidão e tristeza foram embora
Na cavalgada veloz de um alazão
No silencioso trotar galopeiro
De corpos quentes e cheios de tesão.
O suor escorre na pele em chamas
Surge na janela o raio da manhã
O coração pulsa em suave harmonia
E a voz doce diz: é só mais um dia!
O vento entra pela janela em rajada
Anunciando tempestade e noite fria
O sonho acaba na madrugada
Fica a saudade como companhia.
Lágrimas que rolam ressentidas
Marcam mais uma despedida
E no coração a dúvida invade
Onde a verdade está escondida?
O que passou, não voltará mais
O mal que existe, não tem cura
A realidade... É uma noite escura!



Autora: Helena Bernardes

domingo, 27 de dezembro de 2009

NA HORA DO ADEUS

Quando eu morrer na lápide fria
Escreva meu nome em forma de poesia
Conte ao mundo com emoção
A grande história de nossa paixão

Na hora triste do final do dia
Reverencie o sol e reze a Ave Maria
A mãe Natureza que tudo sente
Resplandecerá luz em sua mente

Ao rolar uma lágrima na tumba fúnebre
Enxugue os olhos e não chore mais
Toque o coração, imagine onde estou
E onde eu estiver... Terei paz

Eo novo dia quando surgir
Voe com os pássaros para sorrir
Deixe que o tempo cure as feridas
E seu coração voltará a florir.


Autora: Helena Bernardes

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

POETIZANDO COM A VIDA

Aprendi ser cúmplice e compartilhar segredos
E no jogo do amor sentir muito medo
Aprendi que não devo bater pra não me ferir
E agradecer a Deus na hora de dormir
Aprendi desde criança pedir desculpas
Quando ferir ou magoar pessoas
E desejar que todas as almas do mundo
Abram os olhos e vejam apenas atitudes boas
Aprendi que pra sermos inteligentes
Precisamos pensar muito e falar pouco
E que ter uma vida saudável e equilibrada
É desenhar, pintar, cantar, saltitar, bailar
E principalmente brincar de trabalhar.
Constatei que é ótimo namorar viajando
Deitar no ombro, cheirar os cabelos, beijar a mão
Mas, muito perigoso bolinar na direção
Ensinei que não se joga lixo na contramão
E que faz bem ao planeta ter boa educação
E que o mais sublime dos sentimentos é o perdão
Observei que é lindo dar a mão ao outro
E caminhar pela vida bem juntinhos
Se deliciando com biscoitos fritos
Bebendo chá quente ou um bom cafezinho
Tirar uma pequena soneca no meio da tarde
É só para quem tem rede e uma grande inspiração
Para deixar registrado no relógio do tempo
Que amar demais é encher o coração de ilusão
O mais importante que eu aprendi no mundo
É que tudo que foi tirado tem que ser colocado
Rearranjado ou transformado onde foi bagunçado
E que devemos respeitar a Vida e a Natureza
Para usufruirmos no futuro de sua beleza.
A descoberta mais importante que fiz
Para os amantes de poema ou uma bela canção
É que podem ser escritos mesmo sem rimas
Usando apenas o som e o tom do coração.


Autora: Helena Bernardes

sábado, 31 de outubro de 2009

CAVALO DE TRÓIA


Eduardo de Paula Barreto

Eu queria ter sido
Aquele homem cheio de luz
Que foi escolhido
Para auxiliar o sofrido Cristo quando
Ele carregava a sua cruz.

Eu queria ter sido
As mãos que provocaram alegria
Nos negros cativos,
Eu queria ter escrito
As suas cartas de alforria.

Eu queria ter sido
O pano branco que mesmo sujo de sangue e terra
Bastou ser erguido
Para fazer soar aos ouvidos
O grito de paz em meio à guerra.

Eu queria ter sido
O cavalo de Tróia,
Mas em mim teria escondido,
Não soldados, mas apenas cupidos
E assim teria mudado o rumo da história.

O Poetizador