quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A importância da leitura e da escrita

Por Vilmar Berna*, do Portal do Meio Ambiente

Para compreender, adequadamente, a importância da leitura e da escrita em nossas vidas, precisamos compreender que assim como o nosso corpo material precisa de alimento, o espiritual também. É importante aqui corrigir uma falsa idéia, a de que os termos 'espiritual' ou 'espiritualidade' referem-se exclusivamente ao seu sentido religioso. É compreensível que isso ocorra, por que é aí que os que têm fé na divindade elaboram e abrigam suas idéias e sentimentos em relação ao sagrado.

Entretanto, ateus também tem fé, por exemplo, de que o mundo pode ser melhor e de que as pessoas podem mudar. Possuem seu lado espiritual, só que no sentido não religioso do termo, onde elaboram idéias, afetos, esperanças. E também espiritualidade, no sentido da religação com a natureza, com o Cosmo.

O que ressalto aqui é que nós e o mundo não somos feitos apenas de uma parte material que pode ser percebida pelos cinco sentidos, mas também das visões que temos desse mundo, de nós e dos outros. Por isso, nunca estamos prontos, mas na medida em que recebemos informações e estímulos, e vivenciamos experiências, construímos ou reconstruímos nossa visão de mundo.

Outra falsa idéia é a de que podemos comunicar a verdade. Podemos percebê-la, mas ao comunicar sobre ela, levamos junto uma parte de nossa subjetividade como observador. Então, não existe comunicação imparcial. O que é verdadeiro para um pode não ser para o outro. Por que, ao contrário do que se possa imaginar, a realidade como percebemos está em constante processo interno onde permanente é só a própria mudança.

Entre os grandes desafios para a humanidade é conseguir respeitar as diferenças entre os povos, as pessoas, as visões de mundo para que elas não se tornem obstáculos às relações. Por que não existe uma pessoa igual à outra, e também não pode existir verdade única, religião única, pensamento único. E isso inclui esta própria afirmação que acabo de fazer, daí a dificuldade de se andar em terreno firme e seguro quando o assunto é a subjetividade.

Então, ler e escrever é muito mais que dominar técnicas literárias, é obter as chaves desse mundo interior, de nossa verdade, e ter acesso a dos outros. Uma forma de nos ajudar a perceber, compreender e elaborar nossa própria subjetividade contribuindo para dar sentido ao mundo, a nós próprios e aos outros. Claro que existem outras formas de fazer isso, principalmente nas culturas orais, mas na cultura letrada, ler e escrever são fundamentais para ser e sentir-se adequadamente inseridos no mundo.

Precisamos disso, pois ao contrário do que possa imaginar, o processo de formação do sujeito é na verdade uma auto-formação. A educação, os livros, a cultura, os meios de comunicação exercem influências sobre nós, mas o que somos resulta de nossas escolhas. Comunicadores em geral, educadores, e escritores, em particular, cumprem com o papel social de nos ajudar a construir nossa subjetividade, nossa compreensão da verdade e utopias e, embora não escolham por nos, contribuem para iluminar nossos caminhos.

Outra falsa idéia é que a pratica é mais importante que a teoria. A prática começa nas idéias. A motivação para agir não está na própria ação, mas em nosso mundo interior. E como a leitura e a escrita nos conectam a este mundo, nos incentivam - ou não - a agir seja para manter as coisas como estão ou para mudá-las. Por isso, os primeiros a sofrerem censura e prisões em regimes opressores são os jornalistas, os artistas, incluindo os escritores, por que idéias podem ser armas mais poderosas que fuzis e granadas. Não é por um acaso que nos regimes democráticos exista tanta preocupação dos donos do poder de controlar os meios de comunicação.

A internet tem sido uma arma poderosa de resistência, uma forma de driblar a censura, algo inimaginável em outras épocas. Os poderosos estão tentando encontrar um jeito de impedir a liberdade na internet. Em países de regime totalitário certas palavras são bloqueadas pelos servidores e em países democráticos os poderosos estão buscando meios para impedir que informações desfavoráveis a eles continuem circulando na internet. Assistimos isso recentemente no episódio do Wikileaks, que criou um mecanismo aparentemente à prova de censura para a divulgação de segredos de Estado. Em vez dos poderosos escandalizarem-se com o fato de funcionários públicos estarem tramando em segredo contra o povo e a paz - usando funções públicas para cuidar de interesses privados, para se corromperem – para tentarem aperfeiçoar sistemas de controle democrático a fim de se livrarem das falhas do sistema, tentam por todos os meios - inclusive ocultos - de criminalizar os que democratizaram a informação secreta.

Um de nossos maiores desafios é aos escrevermos, ou falarmos, expressarmos o que estamos pensando ou sentindo. Por mais incrível que pareça, tem gente que diz uma coisa e pensa ou sente outra diferente. Por isso não nos comunicamos apenas com a fala ou a escrita, mas também com os gestos, os olhares, o tom de voz. E é aí que a internet e a escrita, por mais importantes que sejam para a comunicação, não substituem o contato pessoal, o olho no olho.

Espressar-se na forma escrita não é um simples ato de colocar palavras num papel ou digitar num teclado. A maior parte da ação de escrever é invisível para os olhos, acontece no mundo interior de quem escreve e pode refletir este esforço de buscar o equilíbrio entre as emoções, o pensamento e as praticas.

E mais. Com os blogs e as ferramentas de busca, escrever e ser lido tornaram-se atos quase simultâneos. Antes, o intervalo de tempo entre um e outro podia levar anos e dependia do escritor ter a sorte de encontrar um editor para intermediar seu acesso aos leitores. Além de contribuir para a democratização da informação e do pensamento, a internet, os novos celulares, a banda larga, tem facilitado a vida de quem gosta de escrever e quer ser lido. Publicar deixou de ser privilégio de poucos.

Escrever assemelha-se a alguém que organiza uma casa desarrumada. Arrasta e empurra idéias de um lado para o outro, constroem e reconstroem pensamentos, sonhos, como quem movimenta os móveis. E só depois de estar cheio dessas idéias, e quando elas começam a fazer sentido, é que a pessoa se sente pronta, na verdade, quase que obrigada a escrever, como uma espécie de libertação da mente. E aí começa outra etapa importante, a de garimpar as palavras mais certas e apropriadas para transmitir a mensagem. A chance de acertar logo de primeira é a mesma de um garimpeiro achar uma pepita de ouro na primeira tentativa.

Alguns chegam a comparar o ato de escrever com o nascimento de um filho. O período da gestação é o tempo gasto na elaboração das idéias e o parto é o ato de colocá-las para fora.

Pablo Neruda dizia que escrever é fácil, começa com letra maiúscula e acaba com um ponto e no meio se colocam idéias.

As idéias nascem em nós, nos outros autores e também estão por aí, ao alcance de todos que estiverem dispostos a ser veículo para elas.

Algumas idéias são tão universais que se repetem em vários escritos, povos e culturas diferentes, e independente do tempo e lugar, permanecem atuais e válidas para todos.

O ideal é quando o escritor consegue reunir à sua volta pessoas que compreendem que o ato de escrever não é apenas físico, mas requer recolhimento, silêncio interior, para ouvir-se e ouvir seus fantasmas, angústias, desejos, 'conversar' com seus amigos espirituais. Assim, para quem não conhece sobre o ato de escrever, pode parecer estranho quando o escritor se recolhe neste seu mundo, pois externamente, pode parecer que está distante e desinteressado sobre as pessoas ou ao que acontece à sua volta, mas pode ocorrer exatamente o contrário. Para um escritor os acontecimentos do cotidiano não costumam passar despercebidos, pois a vida é o seu laboratório.

E, assim como construimos redes de afetos no mundo físico, também o fazemos no mundo espiritual. Os escritores que gostamos formam nossa espécie de rede de 'amigos' espirituais, com os quais compartilhamos idéias, afinidades e valores, ainda que muitos já possam ter morrido a milênios ou vivam do outro lado do Planeta. Por isso, um escritor nunca esta só em seu mundo interior e ainda que tirem tudo dele, e aprisionem seu corpo, como já aconteceu muitas vezes nas Ditaduras, podem se refugiar em seu mundo interior, onde são livres, e, assim, sobreviverem espiritual e intelectualmente.

Mais que escrever para seu próprio prazer escreve-se por necessidade e dever. Escrever é a função social do escritor, seja para entreter, seja para ajudar na analise da conjuntura, mostrar alternativas, denunciar as falsas idéias e injustiças. Por isso, um texto não está completo quando é divulgado, mas quando é lido. E quando isso acontece, nenhum texto é igual ao outro, pois ao passar pelos olhos e pelo mundo interior do leitor, ganha nuances e identidade própria e particular.

Um mesmo texto lido por diferentes leitores será compreendido de forma diferente. Um texto que alguém ache maravilhoso pode ser comum para outra pessoa.

Sem os leitores, os textos não vão a lugar algum, não transformam coisa alguma, não amam nem são felizes. Não são os textos que mudam as coisas. São as pessoas.

* Vilmar Sidnei Demamam Berna é escritor e jornalista, fundou a REBIA - Rede Brasileira de Informação Ambiental e edita desde janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do Meio Ambiente) e o Portal do Meio Ambiente  Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

RÁDIO TAXI ARAGUAIA NEGA RESPONSABILIDADE EM BATIDAS DE CARROS A TERCEIROS

Este é mais um capítulo de Histórias que a vida conta...e aqui tem muitas!

Aconteceu com a coordenadora do SOS NASCENTES DO RIO PIRACANJUBA  um fato constrangedor. Um veículo de placa NKM 7163, que tem a permissão 0179 em nome da Rádio Taxi Araguaia, em 10/12/10 bateu em seu veículo, ao fazer uma manobra irresponsável. Acionado a seguradora, o serviço só foi autorizado em 22/12/10 levando 12 dias para apenas autorizar o serviço em seu veículo, após uma infinidade de telefonemas feito por ela. Após a autorização, ela entrou em contato com a oficina autorizada  e foi informada que somente após 10 dias que seu veículo será liberado. 

O questionamento é: Quem irá se responsabilizar pelas despesas extras que ela está tendo pela falta de seu veículo neste período? É um carro de trabalho, não tem outro para colocar no lugar. O que ela deve fazer? Quando ligou para o Sr Edson, responsável pela Rádio Taxi Araguaia, ele simplesmente falou que não podia fazer nada, pois a responsabilidade era do motorista do Taxi. Após falar com o Sr. Evislágio, o motorista, ele informou que não pode fazer nada, que ela tem que esperar com paciência. Aí está a pergunta : Até quando iremos passar por procedimentos tão constrangedores como este por parte das seguradoras e também pelo descaso das empresas de TAXI, em fatos como este?

De quem é a responsabilidade? Do motorista que tem permissão para transportar passageiros em nome da Rádio Taxi Araguaia ou do próprio motorista?

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Então é Natal (Simone)

Composição: Versão: Cláudio Rabello


Então é Natal, e o que você fez?

O ano termina, e nasce outra vez.

Então é Natal, a festa Cristã.

Do velho e do novo, do amor como um todo.

Então bom Natal, e um ano novo também.

Que seja feliz quem, souber o que é o bem.


Então é Natal, pro enfermo e pro são.

Pro rico e pro pobre, num só coração.

Então bom Natal, pro branco e pro negro.

Amarelo e vermelho, pra paz afinal.

Então bom Natal, e um ano novo também.

Que seja feliz quem, souber o que é o bem.


Então é Natal, o que a gente fez?

O ano termina, e começa outra vez.

E Então é Natal, a festa Cristã.

Do velho e do novo, o amor como um todo.

Então bom Natal, e um ano novo também.

Que seja feliz quem, souber o que é o bem.


Harehama, Há quem ama.

Harehama, ha...

Então é Natal, e o que você fez?

O ano termina, e nasce outra vez.

Hiroshima, Nagasaki, Mururoa...


É Natal, É Natal, É Natal.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Movimento pelo Planeta

Faça parte você também do Movimento pelo Planeta. Para cada seguidor, uma árvore será plantada. Uma iniciativa da Rede Smart de Supermercados.
Acompanhe @mov_peloplaneta no Twitter

1°DEZEMBRO - DIA INTERNACIONAL DA LUTA CONTRA AIDS

Dia 1º de dezembro é uma data símbolo de conscientização. Eleita no calendário como o Dia Mundial da Luta Contra a Aids, a ocasião estimula a discussão acerca do tema e da quebra de tabus. Escolas e empresas se abrem para debates mais intensos sobre a doença, os sintomas, a prevenção e a convivência com os soropositivos.

"Aproveite o dia para repensar sobre seus valores: Não ignore a realidade!"

sábado, 13 de novembro de 2010

Pés que falam por si

Para as mulheres que viajam muito de carro, deveriam  inventar  um com suporte bem macio para colocar os pés confortavelmente.  Asim, aproveita-se  melhor a viagem e dá para observar com conforto e tranqulidade as belas paisagens de beira de estrada.
Segue abaixo uma bela poesia sobre os pés.

Sejam pés brancos, amarelos ou negros

São sempre pés dignos de sua caminhada!

Dos pés bem calçados aos descalços

Deviam ser pés bem tratados,

Muito bem conservados.

Pés descalços que falam por si!

Fazem realçar em plástico moldado,

Por atilhos, tiras entre dedos

Bem se livram de enredos

Caminhando o dia inteiro

Por serem pés iluminados!

Livres! Pés de mensageiro!

Com sua imagem de pobreza

Vingam outros em riqueza!

Fortes e fracos mas, são afirmados!

Ainda hoje co-habitam entre nós

Pés descalços que falam por si!


Autor : Pinhal Dias

Quero-Quero em Histórias que a vida conta