quinta-feira, 27 de agosto de 2026

COMO NASCEU A VOVÓ ONÇA

 


Da mulher bicho do mato à personagem que encontrou nas crianças uma nova maneira de falar sobre a natureza

Antes de ser Vovó Onça, eu já rondava a vida de Helena Bernardes sem que ela percebesse.

Durante a semana, Helena trabalhava vendendo pneus. Estradas, clientes, viagens e aquela rotina corrida de quem precisava ganhar a vida.

Mas chegava o fim de semana e o cenário mudava.

Ela ia para uma chácara em Anápolis, próxima às nascentes do Rio Piracanjuba. Ali, trocava o movimento das estradas pelo silêncio da mata.

De manhã cedo, pegava a câmera fotográfica e saía para caminhar.

Fotografava árvores, flores, orquídeas, animais, nascentes e tudo aquilo que encontrava pelo caminho. Muitas vezes, Shake, seu cachorro preto, acompanhava aquelas pequenas expedições.

Os sobrinhos começaram a brincar com aquele jeito dela de desaparecer pelo mato e lhe deram um apelido:

“Mulher bicho do mato.”

Depois veio outro:

Tia Onça.

Mal sabiam eles que estavam ajudando a batizar uma personagem que ainda levaria alguns anos para nascer.

De Tia Onça a Vovó Onça

O tempo passou.

Então chegaram JPzinho e Leia.

Helena virou avó.

E convenhamos: se a Tia Onça agora era avó, o destino do nome estava praticamente resolvido.

Nasceu a Vovó Onça.

Com os netos vieram as histórias. Depois chegaram outros personagens, florestas imaginárias, animais falantes, nascentes que precisavam ser protegidas e aventuras criadas para conversar com as crianças sobre o cuidado com o planeta.

A mulher que durante tantos anos observara a natureza percebeu que poderia transformá-la em literatura.

E eu fui ficando.

Deixei de ser apenas um apelido e virei personagem.

Mas a Vovó Onça não tinha cabelo!

Não tinha mesmo.

Quando apareci nas primeiras histórias, eu era uma onça-pintada idosa, com minhas pintinhas, meus óculos redondos e meu inseparável xale lilás.

Nada de cabelo humano.

Só que personagens também envelhecem, mudam e acompanham a história de quem os criou.

Quando cheguei aos 70 anos, ganhei uma novidade: cabelos humanos, curtos e grisalhos, inspirados nos cabelos de Helena.

Portanto, se você encontrar por este blog imagens antigas de uma Vovó Onça sem cabelo e, nas mais recentes, uma onça grisalha toda faceira, não estranhe.

Sou eu mesma.

Não troquei de personagem.

Só fui ao cabeleireiro. 😄

Afinal quando nasceu a Vovó Onça?

Essa é a pergunta mais difícil.

Talvez eu tenha nascido quando Helena entrou pela primeira vez no mato levando uma câmera.

Talvez quando alguém a chamou de Tia Onça.

Talvez quando chegaram os netos.

Ou talvez eu sempre estivesse por ali, escondida entre uma nascente, uma fotografia, uma estrada e um caderno esperando a hora certa de aparecer.

Hoje sei a resposta que prefiro:

Eu não cheguei de repente à vida de Helena Bernardes. Eu já morava nela.

Só precisei de duas crianças para ganhar o nome de Vovó.

🐆 Vovó Onça

Personagem criada por Helena Bernardes, nascida das memórias, da natureza, da educação ambiental e das histórias contadas às crianças.

© Helena Bernardes — Todos os direitos reservados.

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