Ele cantou.
Acordei com o bem-te-vi na janela, voz firme, repetida,
como quem sabe exatamente
a hora de chamar o mundo de volta.
Não estava sozinho.
Das árvores do jardim veio um coral inteiro, pássaros conversando entre si,
afinados no mesmo instante,
me dando bom dia
sem precisar de palavra humana.
Fiquei quieta.
Aprendi faz tempo que certos despertares pedem escuta antes de resposta.
A manhã se anunciou assim:
com canto, com folha mexendo devagar, com a certeza simples de que a vida continua mesmo quando a gente dorme.
O bem-te-vi insistiu.
Não por urgência.
Por constância.
Levantei agradecendo.
Há dias que começam com café.
Outros começam com bênção.
Hoje foi assim.
Helena Bernardes
Histórias que a vida conta
Amanhecer, 27 janeiro 2026
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